10/10/2007

Crianças e seus mestres

Crianças e seus mestres

Martha Cristina E. Maia
Professora
marthacristinamaia@hotmail.com
Todos os dias ouvimos essas frases: "Tia, deixa eu beber água?"; "Professora, o Pablo tá puxando meu cabelo. Que eu faço?"; "Deixa eu apagar a lousa, tia?"; "Fessora, posso ir ao banheiro?"; "Tia, a senhora já corrigiu as provas?". "Os adultos querem compreender as crianças e dominá-las. Eles deveriam escutá-las." (Françoise Dolto).
Subscrevo Rubem Alves, que diz: "As crianças são seres oníricos, seus pensamentos têm asas. Sonham sonhos de alegria. Querem brincar."
Como professora, devo sempre direcionar a afetividade (seduzir) do aluno em relação ao que se está sendo ensinado, pois só se aprende quando se gosta, quando se ama o que se estuda. Muitas vezes as crianças de hoje não
sabem mais esperar, ela bate o pé, grita, e a mãe já atende.
A Bíblia nos ensina que devemos educar a criança no caminho em que ela deve andar. (Pv 22.6a), muitos pais perderam o rumo da educação de seus filhos, não sabendo mais como educar.
"A criança é uma semente que não se abandona à toa, depende de ti somente tornar a colheita boa". Quantos bilhetes recebemos quase todos os dias
de nossos alunos queridos, quantas flores elas nos oferecem pelas manhãs, é um tudo de bom ao amanhecer. A minha aluna Maria Clara, do 2º ano do Colégio Evangélico, diz em sua cartinha que eu sou a melhor tia que ela já teve: "Gosto muito da senhora. Faz até dever grande, mas mesmo assim eu gosto dela. Ela é bonita e mora em um apartamento, como gosto dela, eu dei um confeito pra ela e se eu não gostar, eu nunca tinha dado um confeito pra ela".
Subscrevo um lindo jogral com o tema: sou professor...
Todos:sou professor!
Professor: A sala cheia de alunos... A individualidade deve ser respeitada, as dificuldades devem ser superadas. O currículo trabalhado e o programa desenvolvido.
Todos: A barra não é fácil, porém sou professor!
Professor: São as dificuldades em casa..., vou trabalhar, mas estou com problemas... As cordas vocais não agüentam mais. Muitas provas e trabalhos pra corrigir.
Todos: A barra é pesada, porém sou professor.
Professor: Os meus queridos alunos sempre chegam atrasados... Brincam tanto durante as aulas. O dever de casa, nunca lembram de fazer!
Todos: sou professor, o que fazer?
Professor: O professor não tem vez diante do insucesso do aluno...
Grupos: O professor não ensinou, a culpa é do professor, nunca entendem o que ele explica.
Professor: No final do ano é aquele corre-corre!
Grupos: Alunos somando notas... A coordenação não tem tempo pra tantas solicitações... E todo mundo querendo solução pra o aluno brincalhão.
Todos: Continuo dizendo que agüento, pois sou professor!
Professor: Na aula, sempre a mesma rotina... Guarde o walkman, menino! Troque de lugar, garoto. Fale baixo! Aqui não é lugar de gritar, quer ter mais respeito pelos colegas?
Todos: Que situação! Porém sou professor, tenho que ir até o fim.
Professor: Onde está o material? Esqueci em casa. Onde está o dever de casa? Não fiz, fui ao dentista... Por que faltou a minha aula? Dormi demais.
Todos: Que absurdo! no meu tempo não era assim... Porém sou professor de hoje...
Professor: E os limites, como estão? Os pais reclamam, porém superprotegem os filhos; o aluno finge que não escuta o professor; os filhos são rebeldes por causa dos pais.
Professor: Professor, tem de ser de ferro! A diretora faz muitas recomendações: avaliem tudo o que é trabalhado em aula! A coordenadora pede mais atividades....
E eu, professor, continuo esperando que a sociedade reconheça meu valor e o meu trabalho, e enquanto as coisas não melhoram continuo sendo professor.
Professor: A sociedade cada vez mais desajustada. Cada segmento tem opiniões diferentes em relação à violência: são desajustamentos familiares; são os novos valores atingindo a imoralidade são os programas de TV; são as escolas que já não sabem cumprir seu papel...
Professor: Enquanto isso vou refletindo... Para muitos, sou louco por abraçar tão brava profissão, porém para a sociedade, muitas vezes nem chego a existir, pois pouco me dão valor. Mas vou seguindo o meu caminho, vou levando como posso. Alguns ex-alunos vão levando um pouco de mim, enquanto vou ficando com um pouco de cada um deles em meu coração. Lembrem-se que sou professor e faço parte do contexto social, enquanto isso, fico pensando e tentando me adaptar a tantos desencontros da educação. (Dulcileia Abreu-RJ)
Ofereço essa mensagem aos grandes mestres federal, municipal e estadual e particular...
Para você, que precisa ser de ferro, desejo que conserve um coração de ouro sensível às necessidades dos seus alunos. Para você, que lida com uma rotina desgastante, desejo que nunca perca a capacidade de sonhar que pode mudar o mundo, e para você, que não vê seu trabalho reconhecido, desejo que encontre forças para fazer de sua profissão um contínuo ato de amor.
Parabéns às crianças e aos seus mestres, por existirem, e que cada criança seja um grande discípulo de seus mestres a cada dia. Desejo um lindo dia a todos que fazem a educação, às crianças e ao querido leitor.

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10/06/2007

Acesso e sucesso dos especiais

Acesso e sucesso dos especiais

Martha Cristina E. Maia
Professora
marthacristinamaia@hotmail.com
Igual ou diferentes? Eis as dúvidas da nossa sociedade em busca de incluir essas pessoas na sociedade. "Sou diferente por que não vejo as paisagens ou igual porque consigo ver a beleza interna das pessoas? Sou diferente por que não ando ou igual porque na minha imaginação vou a qualquer lugar? Sou diferente por que não escuto os sons ou igual porque escuto a voz que vem do meu coração? Sou diferente por que faço coisas que a sociedade diz não serem normais ou igual porque tenho amor e compaixão dentro de mim?
Será que todas as pessoas são iguais ou há diferenças entre elas? Sou como você, capaz de fazer várias coisas e possuo limitações também. Por isso me respeite como um cidadão e aceite minhas limitações que eu aceitarei e respeitarei você." Aline Schmith/2002-RS.
Dia 21 de setembro, Dia de Luta das Pessoas com Deficiências, onde conviver com os alunos especiais, e conviver com um mundo totalmente diferente e muito rico de experiências exigindo conhecimentos de técnicas especiais.
Eles também possuem direitos de comunicação: "Todas as pessoas, independente da extensão e complexidade das suas deficiências, têm o direito de influenciar, através da comunicação, as suas condições de existência".
Uma parte dos deficientes vive para a doença, outros vivem para desfrutar do seu trabalho e ser feliz. Um dia um grande amigo perdeu um braço, mas comentando a respeito da sua desvantagem, ele sempre sorrindo e sempre auxiliando os outros diz: "Foi apenas um braço. Claro que para ter dois é melhor que um só, mas eles apenas amputaram meu braço, e o meu espírito está 100% intacto.
Subscrevo também uma frase de um grande jogador de golfe que nos diz: "A atitude correta de um braço derrotarão a atitude errada de dois braços". Eu, como professora especial do Colégio Evangélico, não poderia deixar de relatar os trabalhos dos meus alunos e das salas vizinhas nesse dia de luta das pessoas especiais.
Um relato de minha aluna Lívia disse que sentia pena dessas pessoas, e eu perguntei o que ela sentiu no primeiro dia de aula dela quando me viu com um aparelho ortopédico na perna. Ela respondeu que também teve pena e que reza por mim de noite, relata que essas pessoas não machucam ninguém, que tratam as pessoas bem e que quando morrer vamos pra o céu.
Isabel Cristina, também aluna, diz que a diferença é normal. "Pare e pense: preconceito nunca"; "A diferença também pode ser normal, é só querermos".
Stefany, do 2º ano, tem uma amiga que tem uma deficiência. Para ela não faz
diferença, brinca com ela, ri e deseja que ela seja muito feliz do jeito que ela é, alegre e linda.
Scarlet, também do 2º ano, diz: "A maior deficiência são naquelas pessoas preconceituosas".
Em muitas cartas de meus alunos o sentimento é sempre de pena. Meu sobrinho Lucas Maia também possui esse sentimento. Eu notava uma diferença ao se aproximar de mim, e um dia quando ele veio me visitar, viu que minha perna do aparelho ortopédico estava escondida atrás da máquina de lavar, e ele gritou:
"Tia Martha, você ficou boa da perna?" Ele estava muito feliz e conversei sobre aquele robô, que era minha perna do tamanho dele, só podia o pequeno sentir medo e pena.
É necessário trabalhar as crianças em busca de começar a nascer uma nova sociedade. As cartinhas dos alunos do 3º ano, da tia Adriana, relatam que possuem diversos amigos especiais, desde surdos, cegos e que eles respeitam muito e gostam muito deles.
"O meu amigo é deficiente, ele tem que ter um homem pra levantar ele da cama porque não enxerga, ele é feliz assim", diz Jefferson.
Todos os alunos do 3º ano do Colégio Evangélico Leôncio José de Santana desejam a todas as pessoas especiais muitas felicidades e paz.
Nossa luta é eterna para que todos os especiais tenham acesso e sucesso em suas vidas. Um abraço a Selma pelos cursos de inclusão na cidade de Mossoró e também desejo que os cursos de inclusão sempre sirvam de estímulo para os professores se apaixonarem pelo tema e conhecerem de perto essa realidade com muito amor e colaborar com os alunos pra o seu acesso e sucesso.
E a você, querido leitor, ame o seu semelhante com qualidades e defeitos.
Um lindo amanhecer sem preconceitos e com muito respeito é o meu desejo aos leitores.

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9/12/2007

A declaração dos direitos da criança

A declaração dos direitos da criança

Martha Cristina E. Maia
Professora
martacristinamaia@hotmail.com
Na Constituição Federal, art.227, está escrito: é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação ao lazer, à cultura, à dignidade, ao respeito e à liberdade, à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação... "As crianças do mundo têm o direito de crescer protegidas por sua família. Quando isso não é possível, a sociedade e as autoridades têm o dever de se encarregar dessa proteção".

Através desse artigo, quero mostrar a minha indignação à visita do festival do folclore, teatro Dix-huit Rosado, em Mossoró, quando no dia 24 de agosto pela manhã, onde os alunos do Colégio Municipal Ronald Pinheiro Néo Júnior foram convidados pra assistir às apresentações.

Chegamos ao teatro já com atraso, e mal chegamos foram concluídas as apresentações. O pior aconteceu na saída, quando fomos convidados a nos retirar do teatro porque eles tinham que "varrer o teatro para o turno vespertino, e o nosso ônibus iria demorar para nos apanhar".

Eu sou uma professora da rede municipal e sou deficiente, tenho uma deficiência física na perna (aparelho ortopédico) e sou bastante profissional, minha turma possui 23 alunos, e me recusei a sair do mesmo com os meus alunos. Imagine, querido leitor, o perigo dessas crianças soltas do lado de fora, esperando o ônibus mais de uma hora...

Do lado de fora um sol escaldante e com grande epidemia de gripe na cidade. Será que os direitos das crianças têm sido respeitados? Imagine agora se todos os ambientes de trabalho começarem a colocar as pessoas pra fora porque vão ter que limpar o ambiente? Onde está o valor à vida e o respeito? Respeito é bom e eu gosto. Será que se fossem as autoridades da cidade teriam sido convidadas a se retirar do teatro para varrer? Saibam que sou uma autoridade e tenho em minhas mãos vidas e crianças para proteger, e se fossem seus filhos gostariam que tivesse acontecido com elas?

Não se trata as diferenças com distanciamento. A vida não é tanto o que nos acontece, mas como reagimos ao que nos acontece. Estamos nesse mundo para fazer o bem aos outros.

Respeito e protejo os meus alunos, pois sou responsável por eles. A pior deficiência que encontro

na vida é a do coração. O não excluir é a base da vida em sociedade e necessitamos das escolas,legisladores, autoridades, esporte, lazer, serviço de saúde e de Justiça e a participação de toda a sociedade para a fundamental universalização do acesso e respeito pelo ser humano.

Possuo duas mãos perfeitas, e uma delas é para ajudar a mim mesma, e a outra é para ajudar ao próximo. Calar quando a gente está sofrendo é heresia.

Existe um lindo texto de nome Minhas três bolsas, que diz que a primeira eu levo comigo sempre cheia de coisas vindas de Deus, de sorte que eu possa repartir com todos os que eu vou encontrando no meu caminhar.
A segunda bolsa eu trago sempre vazia e nela eu vou colocando tudo o que é bom e útil, que vou recebendo de Deus pelos lugares por que eu passo. A terceira é uma bolsa sem fundos. Cortei-lhe o fundo, deixando com uma boca de entrada e outra de saída. Nela eu coloco as injustiças, ingratidões, zombarias e maldades e tudo da mesma qualidade que pelo caminho o diabo e os seus representantes fazem chegar até onde estou.

É preciso educar as pessoas sempre, pois o teatro é considerado um banho de civilização. Espero que certas atitudes mudem e o respeito vença sempre.

Ao concluir esse artigo, desejo ao querido leitor e às crianças do Ronald e do colégio Evangélico a letra da música de Milton Nascimento (Bola de meia, bola de gude).

"Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração/toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão. Há um passado no meu presente, um sol bem quente lá no meu quintal. Toda vez que a bruxa me assombra o menino me dá a mão...

Bola de meia, bola de gude, o solitário não quer solidão, toda vez que a tristeza me alcança o menino me dá a mão".

Um lindo dia de paz e amor nesse amanhecer, é o meu desejo a todos.

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9/01/2007

Folclore e histórias divertidas das crianças

Folclore e histórias divertidas das crianças

Martha Cristina E. Maia
Professora
marthacristinamaia@hotmail.com
Mês de agosto, será mesmo o mês do desgosto? Quantas crenças e superstições ainda existem no meio de nós? E a tia Martha continua ouvindo seus queridos alunos, suas histórias, sonhos e imaginação.

Quero compartilhar com o leitor algumas de suas histórias: "Conta minha mãe que em Minas, terra natal dela, tem uma cidade vizinha em que aparece um lobisomem e que ele se transforma na noite de lua cheia.
Dizem que foi uma praga jogada pela mãe dele, e ele era um filho desobediente. Ela disse com ódio que toda noite de lua cheia, ele se transformaria em lobisomem até a morte." (Lívia, 2º ano do colégio Evangélico)

"Era uma vez um saci-perêrê, ele era muito sapeca, ele apronta todas. Um dia ele viu uma pessoa na mata e queria aprontar, mas a pessoa era muito boa e ele virou amigo da pessoa, e o nome do seu amigo era Esdras e ficaram amigos para sempre." (Esdras, 2º ano do colégio Evangélico)

"Era uma vez um saci que ia caminhando pela floresta e viu uma casa bem bonita e nela morava uma linda moça chamada Nina. O saci, ao ver a linda moça, ficou encantado e quis declarar seu amor pra ela, mas a moça ficou com medo do saci, porque ele tinha uma mão perfurada por uma bala perdida, e só tinha uma perna porque foi atropelado no meio da mata." (Tallison, 2º ano do colégio Evangélico).

No mês de agosto, tendo como comemoração o Dia dos Pais, pedi para as crianças contarem algo de engraçado que aconteceu com ela e seus pais. Apresento agora algumas de suas histórias: "Quando eu era pequeno, vomitei na cara do meu pai."

(Sávio, 1º ano do colégio Ronald Pinheiro Néo Júnior)"Eu adoro brincar com meu pai, quando ele me amarrava e minha avó com pena vinha me soltar." (Pablo, colégio Ronald Pinheiro)."Eu e meu pai fomos comprar sorvete e o sorvete caiu em minha cabeça." (Giovanna, do colégio Ronald Pinheiro)

E o Pablo sempre passava corretivo nos bilhetes que a professora Martha envia pra o papai contando de suas aventuras do Ronald...

"Um dia meu pai estava penteando o meu cabelo e ele ficou mandando eu ficar quieta, e eu já estava feito uma estátua e meu pai pedindo sempre fique quieta, fique quieta, menina. Então eu disse: pai, como é que o senhor quer que eu fique, pois eu já estou quieta." (Maria Clara, 2º ano do colégio Evangélico).

"Uma vez meu pai brigou comigo e perguntou onde estava meu juízo, e aí eu disse que eu tô com meu juízo no bumbum." (Izadora, 2º ano do colégio Evangélico).

"Aconteceu comigo e com o meu pai que um dia fomos a casa de minha avó e eu tinha entrado no carro para ouvir música e o meu pai não tinha visto, tava distraído conversando com a minha avó. Ficou doido atrás de mim, então eu percebi que ele gritava meu nome, abri a porta do carro e eu disse: pai, estou aqui. Ele ficou furioso comigo." (Lívia, do colégio Evangélico).

Lindas crianças, reconheço o empenho de vocês, e nessa luta viemos para somar, o esforço valerá, pois vocês são minhas sementes que no futuro irão brotar. A educação será um meio de aperfeiçoar a humanidade, respeitando então as nossas diferenças, pois nelas estão nossa igualdade.

Ensino às minhas crianças na sala de aula a aplaudir as nossas visitas, para que elas sintam-se valorizadas, e como é maravilhoso sermos aplaudidos. Envio também o meu aplauso a todos que fazem a educação, a todos do jornal GAZETA DO OESTE e às crianças e suas famílias.

Pais, ouçam seus filhos... e muitas e lindas histórias eles querem lhes contar. Professores, ouçam seus alunos e vocês vão descobrir a beleza, o mundo encantado de sua imaginação e fantasia.
Querido leitor, "nunca deixe de amar o espetáculo da vida, pois você está nele...."

Envio um lindo dia ao querido leitor, às crianças, a todos que fazem a educação e acreditam nela, a todas as estagiárias do curso de pedagogia que estão estagiando no colégio Evangélico e, em especial a Daiane, que adora pintar, superando sua infância e redescobrindo a criança que nela ainda existe, um abraço a todos, da tia Martha.

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8/15/2007

MUITO PRAZER, EU EXISTO...

Muito prazer, eu existo...

Martha Cristina E. Maia
Professora
marthacristinamaia@hotmail.com

 
Subscrevo a música do Xuxa (Sexto Sentido), uma boa dica pra trabalhar a inclusão, que nos diz: "Existem filhos que precisam de mais carinho/de mais cuidados e atenção especial/e essas crianças quando muito bem amadas/só Deus quem sabe o seu potencial.
Seus pais conhecem um segredo do universo/da harmonia na diversificação/Amar alguém dito normal é muito fácil/longe de indiferença e discriminação. Pergunto-me se a indiferença é natural? Pergunto-me em que consiste ser normal? Pergunto-me qual o referencial é porque todo mundo tem que ser igual? Quem de nós é um ser humano exemplar? Quem de nós não tem espelho pra se olhar?
Quem de nós é capaz de atirar a primeira pedra sem se machucar.
Alguns de nós julgam-se mais do que todo mundo/como se fosse escolher pra quem nascer/comparações são vaidosas ou amargas e tudo na vida tem uma razão de ser. Tem gente preconceituosa e arrogante e eu me preocupo com o seu modo de pensar/como se Deus fosse algum ser inconseqüente que faz pessoas só pra olhar. Muito prazer, eu existo".

Lembre-se, querido leitor, que ser amigo é... entender o outro, respeitando seus defeitos e qualidades. É também poder falar com os olhos e saber ouvir com o coração. A palavra
inclusão deve começar pela compreensão do tema, pois existem professores totalmente incapacitados e deficientes com os seus alunos especiais e, muitas vezes, relutando contra a inclusão deles nas escolas.

Neste mês, com a turma do 1º ano da Escola Municipal Ronald Pinheiro Néo Júnior, estou trabalhando o folclore, e especialmente as lendas, e em uma das aulas, explorando bem a figura do Saci, trabalhando o preconceito desde o cachimbo do Saci e a sua deficiência, relato algumas opiniões das crianças com o que aconteceu com o Saci... Uns diziam que ele estava velho e foi acometido por doenças e perdeu a perna; outros afirmavam que Deus tirou a perna dele, porque ele era maldoso e foi castigo de Deus; outros diziam que o
Curupira e a Cuca fizeram a perna dele sumir... Uns diziam que esconderam a perna dele e ele vive pulando procurando por sua perna, uns acreditam que o mesmo nasceu sem a perna. E eu, aproveitando por usar um aparelho ortopédico na perna esquerda, perguntei: Então o que vocês acham que aconteceu com a minha perna? Foi castigo de Deus? Será que sou má? Algum jacaré comeu a minha perna? E de repente um deles respondeu: "Tia, a sua perna é colada com cola quente".

O melhor é na hora da saída, quando vou de moto e outros alunos ficam olhando minha perna e meus alunos defendem e dizem: "O que você tá olhando pra minha professora?" Envio a todos e a todas que fazem a escola Ronald Pinheiro Néo Júnior um abraço e
parabéns pela organização da escola e pelo carinho dos meus alunos com a tia Martha.

"Diferentes são todos aqueles que nos acham diferentes", e digo que a diferença entre o vencedor e o perdedor não é a força e nem o conhecimento, mas, sim, a vontade de vencer... Tudo aquilo em que cremos, nós controlamos. Uma das grandes frases de PASCAL diz: "Para quem deseja ver, haverá sempre luz suficiente, para quem rejeita ver, haverá sempre obscuridade". Desejo a todos um lindo amanhecer, cheio de luz e paz em seus caminhos.



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8/01/2007

Como criar um filho delinqüente

Como criar um filho delinqüente
 

Martha Cristina E. Maia
Professora
marthacristinamaia@hotmail.com

 

 

Relendo um panfleto do Cefet, de 25/04/94, que citava dez regras fáceis de alerta, encontrei: 1- Comece, na infância, a dar a seu filho tudo o que ele quiser. Assim, quando crescer ele vai acreditar que todos têm obrigação de lhe dar tudo o que deseja.
2- Quando falar palavrões, ache graça, isso o fará considerar interessante.
3- Nunca lhe dê qualquer orientação religiosa, espere até que ele chegue aos 21 anos e "decida por si mesmo".
4- Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas, faça tudo por ele, para que aprenda a jogar sobre os outros toda a responsabilidade.
5- Discuta com freqüência na presença dele. Assim, não ficará muito chocado quando o lar se desfizer mais tarde.
6- Dê-lhe todo o dinheiro que ele quiser. Nunca o deixe ganhar seu próprio dinheiro, porque terá ele de passar as mesmas dificuldades que você passou?
7- Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida e conforto. "Negar pode acarretar frustrações prejudiciais".
8- Tome partido dele contra vizinhos, professores, polícia, pois todos têm má vontade com seu filho.
9- Quando ele se meter em alguma encrenca, dê esta desculpa: nunca consegui dominá-lo.
10- Prepare-se para uma vida de desgosto. É o seu merecido destino.
Será que o meu querido leitor ou pai, professores, quando lê este artigo já se deparou com situações semelhantes com seus filhos ou jovens?
Certa vez uma mãe perguntou a um sábio quando deveria iniciar a educação de seu filho?
- Que idade ele tem? Perguntou o erudito.
- 2 anos
- Ah! Então a senhora já perdeu dois anos na educação do seu filho.
François diz: "Em todas as idades, o exemplo pode muitíssimo conosco, na infância então é onipotente".
John Lock diz: "A influência do exemplo é penetrantíssima na alma".
Por muito tempo, predominava uma orientação para que as famílias desenvolvessem uma rígida disciplina no decorrer da criação dos seus filhos, e atualmente ouvimos aquela velha frase: "Não tenho mais o que fazer com o meu filho". Muitos exageros foram cometidos em nome da disciplina.
Na segunda metade do século XX, disseminou-se uma teoria na base na qual se afirmava que nada deveria cercar a liberdade das crianças, que precisavam ser criadas sem medo, sem tantos limites externos, para que nada bloqueasse o desenvolvimento de sua personalidade. Entre outros fatores, isso contribuiu para o surgimento de crianças sem freio, confusas e inseguras que vivem apenas sob o jugo de sua própria vontade, sem considerar a autoridade da família, Igreja, escola, do país. Tais comportamentos são cada vez mais agravados, hoje vemos o crescimento da violência, com o declínio moral e espiritual.
Abrimos o jornal ou ligamos a TV para assistirmos a relatos brutais de: pais que agridem filhos de várias formas, resultando em traumas físicos e psicológicos; filhos que tramam e tiram a vida de seus pais motivados por interesses financeiros, entre outros. Imagine a grande tarefa de um educador nesse século. Essa é a nossa realidade. "A esperança é um sonho que caminha". (Aristóteles)
Que a semente da educação esteja germinando em sua alma e indique o novo caminho de como educar um filho, espalhe as sementes de um gênio nesse lindo amanhecer, é o meu desejo.



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7/21/2007

Uma simples professora

Uma simples professora

Martha Cristina E. Maia
Professora
marthacristinamaia@hotmail.com

Ao iniciar este artigo, ofereço esses versos de patativa do Assaré a todos os professores do Brasil e do mundo.
Neste momento oportuno/vou dizer a cada aluno/que estude constantemente/sem tirar de sua mente/o seu livro e o professor. Com muita certeza digo/é ele o seu grande amigo/que na vida lhe conduz/é seu grande protetor/quem vive sem professor/vaga nas trevas sem luz. Ele na sua missão/no setor da educação/posso muito bem dizer/que é o meu melhor companheiro/mais fiel e verdadeiro/que nos ajuda a vencer. Com muita simplicidade/aí vai esta verdade/de um poeta agricultor na referência que faço/envio um fraterno abraço para cada professor.
Conheçam a vida de uma "simples professora", de seus esforços, modo de viver, tipos de leitura, precisa conhecer e entender as verdades, pessoas, fatos aos quais atribuo forças no meu caminhar. Pena que vocês não sabem a importância de um educador.
Dorinha Nowill, professora cega, diz: "O mundo depende dos mestres para despertar nos alunos a compreensão que pode gerar a verdadeira paz e justiça entre os homens". "Quem se imagina pronto limita seus passos e se condena ao envelhecimento".
Philippe Perrenoud nos diz: "transmitir conhecimento é uma honra e um dever". Educar é... fazer com que as gerações aprendam a respeitar o ser humano.
Vejo-me no texto (homenagem àquele que sempre busca dar um sentido a sua vida que ofereço ao leitor com carinho). Sobre as grandes dunas que circundavam a pequena ilha existiam inúmeros cajueiros, dentre eles destacava-se a pequena ilha onde existiam inúmeros cajueiros, que se destacavam-se pelo garbo de sua copa e pelo sabor de seus frutos. Ele era conhecido como Ervil, e todos os vegetais de sua espécie o admiravam pelas suas extraordinárias qualidades. Porém, independentemente da posição que gozava no seio da comunidade, não se sentia feliz. A admiração que lhe devotavam nada significava. Desejava algo mais do que aquilo. Buscava alguma coisa, imaginava sempre algo novo no seu amanhã.
Todos os dias ao pôr-do-sol, Ervil chamava aquela que o tinha concebido. E a natureza finalmente ouvindo suas súplicas o atendeu.
- Que tens meu filho? Que te falta?
- Mãe! Ouvistes minhas súplicas! Que bom!
- Que sentes?
- Mãe, o desespero invade-me a alma e um desejo imenso resseca-me as folhas.
- Desejo de quê, meu filho?
- De transformar-me num ser do mar. Por favor, não negues o meu pedido! Faz-me livre como as ondas! Transforma-me as raízes em aletas, as folhas e o tronco em corpo de peixe.
- Queres viver nas profundezas do mar?
- Não, gostaria de viver no mar, mas não nas profundezas, não gosto de escuridão e adoro a luz do sol.
- Vejo que tens dentro de ti anseio de liberdade, vou satisfazer o teu desejo.
- E a natureza transformou Ervil em um delfim inteligente, alegre e peralta.
Que felicidade a de Ervil. Como delfim viajou por todos os mares, sentiu as águas geladas dos pólos e as tépidas do Equador. Conheceu as fabulosas marés da nova Escócia, as loucas ondas palawau nas Filipinas, as irrequietas águas do mar de Gol e o tempestuoso Cabo de Boa Esperança. Viu de perto as tempestades que tanto amedrontavam os homens e os maremotos que tudo destroem. Mergulhou em belíssimas florestas de algas marinhas. Maravilhou-se com palácios multicores, ilhas e outras construções dos pequenos obreiros do mar, os corais. Mas Ervil sempre continuava procurando descobrir coisas novas. E por todos os locais por onde andava, procurava fazer grandes amigos e a todos ajudar. Por onde andava a todos cativava.
Um dia estava Ervil sobre um rochedo a conversar com uma estrela-do-mar quando ao seu lado pousou um albatroz. Ervil sentiu então dentro de si um louco desejo de voar, desejo de conhecer a plenitude dos ares, a magnitude do infinito sem barreiras. Com o passar dos dias a vontade de voar aumentava mais e mais, ficava apreciando as suaves evoluções das aves marinhas. Finalmente, não agüentando mais o desejo que lhe corroía as entranhas, apelou novamente para a sua mãe natureza, e ela mais uma vez atendeu as suas súplicas.
- Que queres agora de mim? Estás cansado de ser delfim? Queres voltar a ser cajueiro?
-Não, mãe! Fui imensamente feliz como cajueiro e como delfim, mas gostaria de ser um albatroz... Quero conhecer os céus, sentir o ar... voar pra bem longe!
- Hummm... jamais eu encontrei alguém tão inquieto como tu, retrucou a natureza.
E a natureza atendeu mais uma vez a vontade de Ervil, porém não contentou-se em ser um albatroz comum, aprimorou a arte de voar como nenhum outro de sua espécie havia feito até então.
Mas a vida é imprevisível, ao aproximar-se das dunas, um tiro perdido o acertou e ele despencou estatalado no meio dos cajueiros.
Um velho cajueiro, despido com folhas e troncos carcomidos pelo cupim, dirigiu-se aos mais jovens, dizendo-lhes:
- Vejam, vejam, e aprendam com o que ocorreu com aquele que trocou a segurança da terra pela instabilidade dos mares e pela volúpia dos ares. Que lhes sirva de lição; quem muito procura, o pior sempre encontra.
Ouvindo essas palavras, Ervil, arquejante, apelou para o restante de suas forças e assim lhes falou:
- Estúpidos, letárgicos seres. Fui cajueiro, mas não contentei-me em ser apenas um cajueiro vulgar como tantos outros. Nunca houve frutos tão doces quantos os meus, nem sombra mais acolhedora que a minha. Matei a fome e a sede de muitos. Como delfim salvei vidas humanas da sanha dos tubarões, levando náufragos até a costa, e vocês o que fizeram? Sempre se contentaram em ser normais, mediocremente normais. Egoisticamente normais, pensando sempre em sugar a água do solo, dando muito pouco e buscando tudo sem retribuição. A vida toda vegetaram nessas dunas áridas, sempre terrivelmente acomodados. Inércia total. Nunca pensaram ou procuraram, simplesmente vegetaram. Imbecis! A estagnação de idéias e pensamentos é a causa primeira da destruição interior. Por dentro vocês não existem. São tão ressequidos como as cascas dos seus troncos. Nem ao menos tiveram a coragem de serem bons cajueiros. Quanto a mim, vivi! Vi o mundo pelos olhos dos peixes, das aves, das plantas, senti o calor do sol em minhas folhas, a água em meu corpo, o vento em minhas asas, voei para a vida, mergulhei para as tempestades, descobri a beleza universal. O belo não está na terra, no céu ou no mar separadamente, e sim, nos três conjuntamente. Morro, agora levando dentro de mim três vivências, três experiências inabaláveis que me deram profundo conhecimento desta maravilha chamada vida... morro, mas renascerei novamente em outra forma, pois minha procura será eterna. Sou uma professora e agradeço a Deus todos os dias por isso... UM LINDO AMANHECER É O MEU DESEJO


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